26.4.21

 

O império de sinais | Pintomeira


Michael Amy, Ph.D.

Professor de História da Arte | Faculdade de arte e design

Universidade de Rochester

Rochester Institute of Technology, USA

 

Pintomeira tem vindo a produzir obras artísticas desde 1966, completando este ano meio século de actividade criativa na área das artes plásticas. Esta carreira, já longa e determinada a durar por muito mais tempo, não é de maneira alguma uma tarefa fácil no nosso mundo das artes, cada vez mais inconstante, seja qual for o padrão, e que tritura e deita fora os seus jovens artistas e também os não tão jovens – fazendo tudo isto com uma inusitada leviandade.

Alguns artistas começam e continuam ligados a um estilo e a uma imagética durante muito tempo ou, muitas vezes, durante toda a sua carreira, como são os casos dos proeminentes pintores abstratos americanos Agnes Martin e Robert Ryman. Outros artistas navegam de uma variedade de estilos e temas como fazem os virtuosos abstractos e figurativos, Jasper Johns, Gerhard Richter e Sigmar Polke, para citar apenas três mestres extradiordirarimente famosos e influentes.

Pintomeira foi sempre um inovador e agradavelmente eclético. Ele é um estudioso e, incentivado por uma constante curiosidade, deixa-se envolver com o velho e com o novo para, no fim, criar uma obra com o seu próprio cunho e assinatura.

Servindo de introdução, é importante fazer um breve resumo da carreira deste artista. Nascido na aldeia de Deocriste, em Viana do Castelo, Portugal, os talentos artísticos de Pintomeira foram, muito cedo, reconhecidos por alguns, incluindo a sua professora da instrução primária com o nome mágico de Belizanda, que o encorajou e só a ele, a desenhar no quadro preto da escola. O seu pai, contudo, tinha outros planos em mente para o seu filho que foi encaminhado, ainda criança, para o Seminário com a finalidade de seguir o sacerdócio. Alguns anos mais tarde e sem obter a permissão parental para o fazer, o futuro artista abandonou o Seminário e, no seu regresso a casa, foi acometido por uma verdadeira sensação de liberdade, nunca antes experienciada.

O Liceu, com as suas crescentes aflições, veio a seguir. Terminados os estudos secundários, o seu pai, querendo enviar o seu filho rebelde para a Faculdade de Arquitectura, talvez pensando que, uma vez que ele não quis seguir os ensinamentos cristãos para se formar sacerdote, poderia, agora, como arquitecto, edificar igrejas para os albergar.

O futuro artista, contudo, não querendo perder tanto tempo com os estudos e não se imaginando confortável na pele de um arquitecto, desobedeceu à autoridade parental uma vez mais, antevendo, em vez disso, uma carreira como realizador de cinema ou de artista plástico. Não sendo possível a primeira, por motivos financeiros, Pintomeira tomou em mãos o seu desígnio maior de se tornar um artista e assumir o seu lugar nos holofotes.

Após a sua primeira exposição que provou ser um sucesso, em 1966, Pintomeira embarcou no comboio para Lisboa, encontrando-se pela segunda vez numa viagem onde experienciou sensações de liberdade sem limites. Para ele, vindo de um ambiente rural, Lisboa era a capital das luzes, e o locus da vida moderna. Mal chegado à capital, encontrou um emprego, que abandonou seis meses mais tarde, não querendo conformar-se com as rígidas regras impostas pela sociedade. O livro On the Road de Kerouac transformou-se, para ele, numa influente narrativa de como viver a estrada da era pós nuclear.

 

EXTERIORS | acrylic on canvas | 140x160x4cm | 2012

Após uma tentativa falhada para deixar o seu país e partir para Londres ou Paris, a fim de estudar cinema, antes de cumprir o serviço militar obrigatório, Pintomeira costumava encontrar-se, no Café Brasileira, com alguns artistas do movimento surrealista português. O papel importante que as tertúlias e a cultura de café tiveram na evolução da arte moderna e no desenvolvimento de movimentos vanguardistas na Europa, nunca deve ser subestimado. 

Acompanhado por alguns dos seus amigos, o artista vivenciou aventuras pela estrada fora, sendo mais tarde detido pela polícia política portuguesa (PIDE) por suspeitas de envolvimento em actividades subversivas contra o regime ditatorial, suspeitas essas originadas em comportamentos de contracultura que, muitos jovens da sua geração, noutras partes do mundo, também tinham abraçado. Sendo libertado, após repetidos interrogatórios, e por falta de provas, e sendo considerado irrelevante o facto de trazer consigo livros de Sartre e Camus, e de ter no seu blusão de ganga inscrições de apelo à paz como Make Love Not War, Pintomeira foi obrigado a cumprir o serviço militar, sendo enviado para uma das colónias portuguesas em Africa, no year of living dangerously de 1968, em tempo de guerra. A Guiné acabou por ser um Inferno para o jovem, que rejeitava actos de colonialismo, de exploração e de agressão.

Ano e meio depois, uma vez libertado das suas obrigações militares, Pintomeira regressou a Lisboa, naquele momento, uma cidade equivalente, nos seus pensamentos, a um dia no Eden moderno, depois de ter passado mais do que Une Saison en Enfer do poeta simbolista Arthur Rimbaud, que era um favorito pessoal do artista.

Pintomeira ligou-se aos surrealistas em Lisboa, grupo que inspirou a sua expressão artística que ele iria desenvolver durante os anos de 1970. Assim como aconteceu com os Dadaístas e seguidamente com os Surrealistas, que reagiram às atrocidades da 1ª Guerra Mundial, o idealismo nos anos de 1970 era o de que, se o progresso conduz à tragédia que acabou por desencadear o despertar da 2ª Guerra Mundial, então Pintomeira e os seus colegas artistas deveriam abraçar o irracional, o mundo dos sonhos e do subconsciente.  O Surrealismo transmitia poder. Cumpria a promessa da imaginação sem fronteiras triunfando sobre a monótona e desinspirada realidade conformista.

 

Agora a liberdade chegou sob a forma de uma jovem holandesa chamada Marijke, que levou o artista, primeiro para Paris e depois para Amesterdão, onde ele iria ficar durante cerca de trinta anos.

Depois do seu trabalho ter sido exibido em algumas exposições em Paris, nos fins dos anos 70, Pintomeira abandonou manifestamente a sua ligação ao surrealismo, onde esteve entre 1970-1978, e enveredou pelo desenvolvimento das séries Paisagem (1982-1987) e Contornos (1990-1999). Entretanto, envolveu-se também na escrita (o que testemunha as suas publicações de High Noon in the Hot Summer, de 1981, e as Cartas Condenadas, de 1984) tendo acontecido o mesmo com os artistas surrealista da primeira vaga (Max Ernest, René Magritte e Salvador Dali), e de alguns artistas ligados ao grupo COBRA do pós guerra, movimento que Pintomeira frequentou, durante algum tempo, enquanto viveu em Amesterdão.

O contacto de Pintomeira com a arte e as ideias do grupo COBRA levou-o ao desenvolvimento da sua série Nova Linha (1999-2007). A sua arena de experiências, interacções e acções continuaram a expandir, desde que ele deixou a sua aldeia cujo nome nos leva a pensar como se fosse dedicada a Deus (Deo) e a seu Filho (Christe), Deocriste.

 

Em 1999, Pintomeira voltou para a bela aldeia da sua infância e para a casa dos seus pais a quem muitas vezes e produtivamente ele desobedeceu, uma casa com a pequena capela, na qual os seus progenitores esperavam, um dia, vê-lo a celebrar missa e na qual ele casou pela sua segunda vez, em 2007.

 

De regresso a Portugal, o artista prosseguiu o seu trabalho da série Nova Linha (1999-2007), que abriu caminho para a série Faces (2003-2010).

Na cidade de Braga, onde construiu o seu novo atelier e studio de fotografia, Pintomeira desenvolveu a série Interiores (2008-2011), as Outras Faces (2010), os Exteriores (2011-2012) as séries de fotografia Somewhere (2013-2014), juntamente com a Arte Digital (2009-2016), os Cutouts (2015-2016) e as Novas Faces (2016), passando do desenho para a pintura, para a fotografia, para a colagem, para as cerâmicas, e de volta a outras séries, conforme os seus criativos impulsos o conduzissem.

 

Este artista sempre inconformado, recusou sempre o estado de inactividade. Mudando de velocidades no seu modus operandi, Pintomeira simplesmente acumulou experiência em Lisboa, Guiné, Paris e Amesterdão. Ele precisa de processar uma vida cheia de ideias e sensações acumuladas. As suas metodologias criativas dão-lhe capacidades para o fazer, através da sua arte, enquanto continua a sua impressiva obra temática.

 

Neste ensaio, gostaria de me concentrar em duas séries da sua pintura que, por serem muito recentes, ainda não receberam a atenção devida. As pinturas que fazem parte da série Exteriores (2011-2012) fascinam-me, com a sua acumulação de sinais, as suas sugestões de um espaço tridimensional que é contraditado por outros motivos que enfatizam o plano, e a sua justaposição de figuras e níveis de abstracção. Observemos a pintura de 2011 mostrando um homem no primeiro plano, voltado de perfil para a direita, atravessando uma passadeira de peões e prestes a sair da pintura, uma vez que a ponta do sapato do seu pé direito dista somente alguns centímetros do limite direito do quadro.

 

EXTERIORS | acrylic on canvas | 100x90x4cm | 2012 | Private Collection

O homem, talvez de meia idade, vestido para o trabalho, uma vez que transporta uma pasta segurada pela sua mão direita. De chapéu, o homem preenche quase toda a altura do lado direito da pintura. Contudo, ele é-nos apresentado como uma uniforme silhueta preta, que aparece enfaticamente lisa, tão lisa como as listras brancas da passadeira, e tão lisa como os metálicos sinais rodoviários do plano central, dizendo-nos onde é proibido estar parado, e ordenando-nos a reduzir a velocidade para 30 quilómetros hora.

 

O uso das silhuetas pretas e enfaticamente planas pode levar-nos à obra La feuille de vinhe (óleo sobre tela, 1922, Tate Modern, Londres) de Francis Picabia, a Dresseur d’animaux (tinta Ripolin sobre tela,1923, Centre George Pompidou, Paris), e La nuit espagnole (esmalte sobre tela, 1922, Museum Ludwig, Colónia). O último quadro inclui dois alvos, que são mais ou menos análogos aos sinais de tráfego em forma de disco como na pintura de Pintomeira. As silhuetas pretas nos três Picabias tem precedentes no corte de silhuetas de papel produzidos pelos artesãos e amadores antes do século XX (e revisitados com sucesso pela artista americana Kara Walker nos fins do século XX, e ainda brilhantemente minada por ela, como acontece com estes escritos.

As características formais de papeis cortados foram introduzidos nas práticas vanguardistas por George Braque, nos seus papier collés (papeis colados), e que ajudaram Picasso e ele próprio a desenvolver a pintura do Cubismo Sintético (que apareceu no despertar do Cubismo Analítico), e que influenciou profundamente as séries Exteriores e Interiores de Pintomeira.

 

Mas voltemos ao quadro acima mencionado de 2011. A parte superior da pasta do homem é trabalhada em perspectiva, sendo dada à sua pega uma certa fisicalidade. Isso faz com que projetemos um maior volume no próprio homem, começando talvez nos seus sapatos, um dos quais está quase completamente levantado do chão e lança uma sombra aparentemente vaporosa numa das listras da passadeira. As três listras beges da passadeira no primeiro plano até ao plano central, e praticamente no ângulo direito do fundo, quase como uma prancha de mergulho sobre a piscina, ou como a prancha que se estende para além da parte lateral do navio onde os piratas obrigavam os seus prisioneiros a descer, até caírem dentro do mar ou oceano, afogando-se e sendo devorados pelos tubarões, isto é o que Hollywood nos mostra. 

 

O asfalto sobre o qual estão pintadas as listras das passadeiras constituem mais do que uma longa faixa horizontal, sendo a sua superfície de cor cinza executada sem interrupção até ao topo do quadro e nos dois terços da parte superior da pintura em toda a sua largura. Por outras palavras, ele também se converte numa planura, e está lá como se fosse o céu ou as paredes a primeira leitura ajuda a justificar a prancha de mergulho, analogia de um navio de piratas.

As listras da passadeira, subindo em perspectiva e atingindo o plano central, enfatizam conceptualmente o horizontal, enquanto os sinais da estrada acima mencionados, colocados paralelamente ao plano de imagens enfatizam o vertical. No entanto, a ambiguidade adicional é introduzida por uma longa seta branca igual aquela que é pintada no asfalto para nos informar que nos encontramos numa faixa em que os veículos tem que virar ou à direita ou esquerda sobre um dos sinais metálicos de trânsito.

No entanto, aqueles sinais de trânsito não são de metal. Eles são construídos de tinta. E, obviamente, não há aqui nenhum asfalto. Em vez disso, há simplesmente uma pintura sobre tela. Adicionalmente, não há nenhum homem que caminha em perfil para a direita. No seu lugar, há apenas um material de pintura oleoso que pintou esta superfície imaginada. Encontramo-nos, aqui, num império de sinais. 

Os sinais são importantes, é verdade. Podemos comunicar intenções através deles e somos quase perpetuamente confrontados com eles e pelas suas interpretações.

Ao longo dos anos, aprendemos a compreender a maioria dos sinais à nossa volta, mas as dificuldades abundam, erros ocorrem, e acidentes acontecem. Quando não os vemos ou os interpretamos mal poderemos ir parar a um hospital ou pior ainda, acabar na morgue. Pintomeira lembra-nos que a pintura é uma linguagem, sujeita a um conjunto de interpretações potencialmente corretas ou incorretas. 

 

Noutra foto da série Exteriors, vemos duas mulheres a atravessar uma rua numa passadeira de peões, com os seus corpos colocados quase em primeiro plano, e dramaticamente cortados acima dos seus ombros pelo limite superior do quadro. A mulher da esquerda usa meias amarelas escuras e a outra do lado direito usa meias de cor violeta. Estas senhoras vestem de preto,  é o que podemos dizer, já que as suas cabeças e os seus ombros encontram-se fora dos limites da pintura usando uma um vestido e a outra uma saia, cobrindo praticamente os seus joelhos. Ambas usam sapatos pretos de salto alto.

 

EXTERIORS | acrylic on canvas | 165x185x4cm | 2012

No caso de uma pintura analisada anteriormente, aqui o assunto é também sobre o caminhar, o passear como acontece nas cidades com a sua multiplicidade de sinais e indicações. Aqui também, há movimento e imobilidade e, neste último, estão implícitos os estáticos sinais rodoviários no plano central, avisando-nos para mudar de sentido e reduzir a velocidade, o que está na maior parte das vezes pintado em formas cinzentas sobre fundo cinza escuro. Uma vez mais, vectores horizontais e verticais fundem-se com o chão que as mulheres atravessam e que está alinhado com os seus corpos lisos e de perfil. 

 

A mulher à esquerda com as meias amarelas leva à trela um cão de tamanho médio, um cão preto, igualmente plano como a superfície da sua roupa preta. O motivo do cão preto levado pela trela da mulher, dramaticamente cortada, usando um vestido preto, pode ser relacionado com a sobejamente conhecida pintura, Dinamismo de um cão à trela (óleo sobre tela, 1912, Albert-Knox Art Gallery, Bufalo) do futurista italiano Giacomo Balla. Comparada com este quadro, a pintura de Pintomeira parece calma, imponente e requintadamente equilibrada. A sua gama de cinzentos, por outro lado, lembra-nos os cinzas no trabalho de Jasper Johns, cuja obra também nos vem à mente quando vemos o padrão de círculos finos subindo desde o fundo central até ao canto superior esquerdo, o sinal em forma de disco (referindo a pintura de Jasper Johns), as setas, os números e os sinais de rua drenados nas suas cores. Johns pintou um alvo verde, muito conhecido, rodeado por terra verde, um quadro mostrando uma bandeira branca dos U.S. ocupando totalmente a área da tela. A introdução da superfície feita de sinais na pintura moderna é atribuída a Braque e Picasso, e prosseguida pouco tempo depois, no emblemático abstracto Retrato de um Oficial Alemão de 1944 (Metropolitan Museum of Modern Art, New York), com origens do Cubismo Sintético, em cuja pintura podemos ver motivos em forma de disco e números. Pintomeira, um artista figurativo, tem um maravilhoso sentido para a natureza abstracta das aparências.

 

Os Interiores (2008-2011) de Pintomeira misturam o pós-cubista Fernand Léger com a britânica e a americana Pop. Um dos mais impressionantes Interiores (2009), na minha opinião, é o que apresenta uma mulher sentada a uma mesa azul, lisa, em primeiro plano e em perfil, voltada para a direita, como se ela estivesse a entabular uma conversação com alguém, embora a cadeira do outro lado se encontre vazia.

 A mão esquerda da jovem mulher está levantada e encostada ao seu queixo e à sua face, numa atitude de pensamento. Uma bolha de pensamento, próxima e desenhada com traços, aparece um pouco elevada próxima do centro da pintura, que está vazia recusando, por esse modo, compartilhar o que a jovem mulher está a pensar ou a sentir; ou, estará ela a pensar ou a sentir alguma coisa?  O cinzento do papel de parede com linhas verticais oferece um leve contraste com o cinzento escuro da carpet em baixo e que fica distanciada da parede por um bege rodapé. Pintomeira trabalha melhor, segundo minha opinião, quando ele introduz a austeridade clássica. Esta é outra composição elegantemente equilibrada envolvendo níveis de realidade.

 

INTERIORS | acrylic on canvas | 140x160x4cm | 2011 | Private Collection 

Noutro Interior de 2009, que namora com a publicidade e o design, uma mulher jovem está, uma vez mais, sentada e sozinha. Aqui, a cor dominante é o vermelho, com a jovem sentada atrás de uma grande mesa situada em primeiro plano, em frente a uma parede coberta de papel vermelho com linhas verticais e, um pouco afastados do espectador, dois grandes livros vermelhos colocados sobre a mesa, um em cima do outro. A mulher, aqui representada a partir do seu busto com as suas mãos levantadas até à sua face, encontra-se perdida nos seus pensamentos. Uma janela, com vidraças vermelhas e opacas, e com caixilhos brancos está colocada atrás dela. Comparando com a pintura analisada anteriormente, aqui também um candeeiro de sala interpreta um papel importante, talvez, quem sabe, substituindo a pessoa que está ausente, e que provavelmente ocupa os pensamentos da jovem mulher.

 

  
    
INTERIORS | acrylic on canvas | 160x140x4cm | 2011

Duas formas fechadas construídas de traços aparecem atrás do candeeiro e em frente do papel de parede, introduzindo uma nota de mistério dentro de um contexto de normalidade. A silhueta curvilínea da mulher entra em contraste com a janela rectilínea, e o rectangulo de uma das vidraças vermelhas é reflectido em terceira dimensão pelo que poderia ser um vermelho vaso rectangular colocado sobre a mesa, sem flores, da mesma maneira que as janelas não oferecem alguma vista, e assim como eu pensei, as bolhas de pensamento estão vazias. Esta também é uma pintura sobre a melancolia, uma representação de um tema secular da pensativa Maria Madalena?

Fazendo cinquenta anos de carreira artística, Pintomeira continua a deliciar-nos, arrancando novas ideias do seu alforje preenchido com as suas próprias visões idiossincráticas sobre a arte e sobre a vida. Pintomeira faz parte de uma linha de notáveis artistas camaleões, que mudam em função das situações e que continuam em constante movimento.

 

Michael Amy, Ph.D.

Professor do Colégio d’Historia de Arte

Imagens de arte & ciências

Rochester Instituto de Tecnologia, USA

 

Traduzido do inglês | ver original em:  https://contact5f39.myportfolio.com/press ou https://rit.academia.edu/MAmy

Esta tradução para português não segue o novo acordo ortográfico.

pintomeiragallery.com